sábado, 17 de março de 2007

Sou como ...


Existência
Sou como pena no vento

Trem sem direção

Enfim, sou um ser sem laços

Mas, cheio de embaraços

Espero que a vida, os amigos, a família e o conhecimento

Sejam sempre matérias-primas essencias à minha criação.


Liciane Cardoso Steinhagen

Uma poesia para lembrar ....

Devaneios

Não sabia mais distinguir a ansiedade de mão
A palavra que não quis sair
No final já não tinha mais como negar
A palavra se soltou no ar
Misturando-se com a fumaça que adentrara em seu corpo
Juro que naquele momento senti ciúmes
daquele mal que te fazia sentir bem
Parecia um monólogo
suas palavras não eram compreendidas
Me chegavam como um idioma que não conseguia traduzir
A dor foi momentânea
Seus olhos vidrados na verdade
e o meu orgulho cada vez maior por você
Seu corpo se distanciou
deixei que fosse
Torci para que pudesse encontrar a felicidade
que a dividia em duas
Queria que fosse minha.
Autor LICIANE CARDOSO STEINHAGEN

quinta-feira, 15 de março de 2007

Cecília Meireles


Retrato


Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.


Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.


Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida
a minha face?

DIA NACIONAL DA POESIA (14 DE MARÇO)



Antítese


Cintila a festa nas salas!
Das serpentinas de prata
Jorram luzes em cascata
Sobre sedas e rubins.
Soa a orquestra ... Como silfos
Na valsa os pares perpassam,
Sobre as flores, que se enlaçam
Dos tapetes nos coxins.


Entanto a névoa da noite
No átrio, na vasta rua,
Como um sudário flutua
Nos ombros da solidão.
E as ventanias errantes,
Pelos ermos perpassando,
Vão se ocultar soluçando
Nos antros da escuridão.


Tudo é deserto. . . somente
À praça em meio se agita
Dúbia forma que palpita,
Se estorce em rouco estertor.


— Espécie de cão sem dono
Desprezado na agonia,
Larva da noite sombria,
Mescla de trevas e horror.


É ele o escravo maldito,
O velho desamparado,
Bem como o cedro lascado,
Bem como o cedro no chão.
Tem por leito de agonias
As lájeas do pavimento,
E como único lamento
Passa rugindo o tufão.


Chorai, orvalhos da noite,
Soluçai, ventos errantes.
Astros da noite brilhantes
Sede os círios do infeliz!
Que o cadáver insepulto,
Nas praças abandonado,
É um verbo de luz, um brado
Que a liberdade prediz.


Castro Alves



14 março dia Nacional da Poesia




Maíra Azevedo

O Dia Nacional da Poesia, 14 de março, não por acaso, coincide com a comemoração do nascimento do grande escritor baiano Castro Alves. A Secretaria Municipal da Educação e Cultura de Salvador, que atualmente está instalada na antiga casa de Castro Alves, o Solar Boa vista, vem procurando despertar o interesse e apresentar a importância da poesia aos alunos da Rede. “Temos que poetizar mais a educação, usufruir dos versos poéticos para ensinar as nossas crianças. Fazer com que nossos alunos possam compreender o significado de um poema e despertar o dom que muitas delas possuem e está adormecido,” declara a coordenadora do CENAP, Gedalva da Paz.
Antônio de Castro Alves nasceu em 14 de março de 1847 na comarca de Cachoeira, na Bahia, e faleceu em 6 de julho de 1871, em Salvador. Poeta do Romantismo foi autor de obras, como o “Navio Negreiro”,”Os Escravos” e “Espumas Flutuantes”. Sua arte era movida pelo amor e pela luta por liberdade e justiça. Esta data, 14 de março, ficou estabelecida como Dia da Poesia.

Homenagem a Cecília Meireles

É preciso não esquecer nada

É preciso não esquecer nada: nem a torneira aberta nem o fogo aceso, nem o sorriso para os infelizes nem a oração de cada instante.
É preciso não esquecer de ver a nova borboleta nem o céu de sempre.
O que é preciso é esquecer o nosso rosto, o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.
O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos, a idéia de recompensa e de glória.
O que é preciso é ser como se já não fôssemos, vigiados pelos próprios olhos severos conosco, pois o resto não nos pertence.

Autor: Cecília Meireles.